Entrevista com a editora Contra-Corrente in Dextravox

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Entrevista com os editores da Contra-Corrente


“Contra-Corrente não é um produto comercial.

Possuir um livro Contra-Corrente significa contribuir activamente para a formação e financiamento de uma área político-cultural Não-Conforme.

Possuir e difundir esta obra significa incarnar uma mensagem e o símbolo que representa...Sê digno e pronto a defender as tuas escolhas. Sempre.”


Num panorama editorial frequentemente orientado por lógicas comerciais e tendências de mercado, a Contra-Corrente afirma-se como um projecto singular. Com mais de 120 obras publicadas, a editora apresenta-se não apenas como um agente cultural, mas como um veículo de intervenção político-cultural, assumindo desde as primeiras páginas de cada livro um compromisso claro com aquilo que define como uma área “Não-Conforme”.

Mas o que significa, na prática, estar “contra-corrente” no contexto actual? Que ideias, autores e visões sustentam este projecto editorial?

É sobre estas questões — e sobre o percurso de mais de uma centena de obras — que se constrói esta conversa com os responsáveis pela Contra-Corrente.

Entrevista conduzida por Filipe Carvalho


1) O panorama editorial é bastante vasto e alargado, no entanto, decidiram criar o vosso próprio projecto. Em que momento surgiu a ideia da necessidade de criar a Contra-Corrente?


João Martins (JM) - Estávamos no início de 2013 quando me ocorreu a ideia de propor a alguns camaradas a criação de uma editora livreira. Tal ideia emergiu da constatação da inexistência de projectos editoriais que ousassem publicar os chamados “autores malditos”. As editoras que, nos anos 90 e no princípio do vigente século, se haviam atrevido a furar o bloqueio ideológico, nomeadamente Hugin, Nova Arrancada, Atomic Books, Antília e Antagonista, haviam cessado a actividade.

Assim, abordei várias pessoas ligadas às letras e mesmo ao mundo editorial, com vista à criação de uma editora assumidamente de Direita, sem os complexos e receios infundados que caracterizavam — e todavia caracterizam — um amplo segmento da Direita lato sensu, quixotescamente perdido numa incessante busca pelo impossível reconhecimento e vã respeitabilidade por parte da intelligentsia oficial, acantonada à Esquerda.

Em Maio desse ano, lançámos o primeiro título: Revolução, como fazê-la numa sociedade moderna, da autoria de Kai Murros, um iconoclasta autor finlandês cuja amálgama ideológica versada no livro causou algum desconforto entre leitores conservadores, o que levou a que a edição fosse fartamente comentada e severamente criticada. A editora era, por conseguinte, falada. Primeiro objectivo conquistado.

Porém, a equipa editorial rapidamente ficou reduzida quando sugeri que a facturação desse livro, bem como dos posteriores, ficasse submetida a uma conta bancária para uso exclusivo da editora, em obediência a um princípio basilar de não beneficiarmos economicamente com uma actividade que se quer eminentemente voluntária. A equipa passou a ser constituída por mim e Rui Amiguinho, o qual, além do rigor financeiro demonstrado e da disponibilidade logística, se adestrou na paginação, permitindo, desse modo, que esta iniciativa editorial persista até ao dia de hoje.

De referir, com a devida vénia, a preciosa colaboração de Alberto Araújo Lima na recolha de textos, contactos e intermediação, bem como de outras pessoas na elaboração gráfica e submissão de textos, o que permite não apenas a manutenção da editora, mas, sobretudo, a sua projecção junto de um público mais vasto.


Rui Amiguinho (RA) – No início de 2012 eu estava bastante activo politicamente, tanto a nível associativo como partidário, e sentia, por todos os eventos por onde eu passava e pessoas que ia conhecendo, que faltava muita, muita formação. E na verdade, a oferta era muito escassa, para não dizer inexistente. Tal como uma vez disse um camarada espanhol “vocês em Portugal não têm livros”. A Hugin e a Nova Arrancada tinham tido o seu espaço e a sua razão de ser dentro de um determinado contexto temporal e cultural, mas já não existiam, e não faria sentido delas criar uma réplica. Era necessário algo diferente, era preciso sair dos habituais lugares-comuns, fugir de uma certa direita bacoca e bafienta, ir além do nacionalismo clássico, mostrar que livros “nacionalistas” não são apenas os que têm “Salazar” como título ou Jaime Nogueira Pinto como autor, que há inúmeras tendências por essa Europa (e por esse mundo fora) cujo estudo nos enriquece e nos abre horizontes – enfim, faltava de facto uma oferta rica e diversificada de um pensamento patriotra não-conforme. Então resolvi, sozinho, começar a lançar pequenos cadernos de formação sob a chancela “Terra & Identidade”.  Pouco depois, o João Martins convida-me a integrar a Contra-Corrente. Por altura do convite, a editora já tinha cá fora o livro de Kai Murros e tinha o Fascismo Revolucionário de Erik Norling no prelo, dois livros que correspondiam totalmente à visão que eu concebia para um projecto como este. De forma natural, juntei-me à equipa, que alguns meses depois veio a ficar reduzida e apenas duas pessoas, eu e o João. Não obstante, ao longo dos anos já tivemos várias pessoas que colaboraram de alguma maneira, de forma mais ou menos duradoura, destacando-se o Alberto Araújo Lima que se veio a revelar o mais fiável e resistente de todos os nossos colaboradores.

2) O texto inicial (acima transcrito) é uma marca em todos os vossos livros e sugere-nos um posicionamento forte. Consideram-se em contra-corrente de quê exactamente: mercado editorial, cultura dominante, política?


JM - «Somente os peixes mortos se deixam levar pela corrente», terá escrito G. K. Chesterton. A designação que adoptámos expressa um elogio da autonomia, da resistência e do pensamento independente, porque viver com um propósito implica contrariar a conformidade, a rotina e o pensamento uniforme.

No entanto, devo dizer que anseio por alterar a designação da editora assim que sentirmos que já não estamos a enfrentar a corrente da cultura dominante, mas, antes, que somos parte integrante de uma nova corrente de pensamento, nesta luta pela mudança de mentalidades e pela sua conquista.


RA – Quando a editora nasceu, a crítica ao imigracionismo era um tabu, a defesa da soberania ou do tradicionalismo eram coisas passadistas, o estudo das ideias que não se enquadrassem dentro da óptica dos vencedores da II Grande Guerra Mundial, ou que resvalassem para fora da ordem liberal pós-1991, eram perigosas e preferencialmente silenciadas. Abordámos todos estes temas sem medos nem pruridos, rejeitando o castrante pensamento único. O preço a pagar é a normal exclusão do “circuito comercial” habitual. Nessa óptica, sim, fomos e somos contra-corrente a nível editorial, cultural e político. Face às mudanças ocorridas na última década, faz de facto sentido, muito em breve, ajustarmo-nos, mudarmos a nossa designação para melhor representar aquilo que realmente somos: não somos nem nunca quisemos ser os “últimos” de um qualquer grupo ou de sobrevivermos “sozinhos, de pé, entre as ruínas”, queremos sim ser os primeiros de um novo paradigma.


3) O vosso texto diz que “possuir um livro” é um acto de compromisso — que tipo de relação querem criar com os leitores?


JM - Recorro a Jacques Ploncard D’Assac, doutrinador nacionalista francês que manteve uma profunda ligação com o nosso país, que dizia haver uma batalha no mundo movida pelas ideias, pelo avanço desta ou daquela concepção do mundo nos espíritos. Acrescentava o insigne gaulês que esta é uma guerra feita de milhões de pequenos actos de vontade que transformam a face do mundo. O seu campo de batalha opera nas consciências e as suas armas são as ideias. Essa batalha trava-se em silêncio: nos jornais, na rádio, na internet, na televisão, nos espectáculos, nas escolas e universidades e, também, nas páginas de um livro.


Queremos que os nossos leitores se sintam não apenas como curiosos que leem literatura proscrita, mas, sobretudo, como soldados políticos, mulheres e homens que encontram nos nossos livros um vasto arsenal ideológico que lhes permite encetar a necessária desintoxicação e partir para a resistência activa. Eles constituem um exército contra-corrente que avança e vai aumentando em número. Atente-se que — e regresso a D’Assac —, se é bom contar os canhões de que se dispõe, é igualmente necessário contar com as ideias.


RA – Dizia Umberto Eco que 1) “A biblioteca não é feita de livros que já leste, mas dos livros que ainda precisas de ler” e que 2) “Um livro é uma máquina para produzir interpretações”.

Ora, na primeira ele referia exactamente que um livro não é, nem tem de ser, como um qualquer objecto que compramos para lhe dar um usufruto imediato (compramos uma barra de manteiga quando precisamos de comer, ou uns sapatos para não andarmos descalços na rua) mas sim algo que nos acompanhará para toda a vida, pois em um ou em vários momentos da nossa vida poderemos ter necessidade da informação que consta daquele livro, sendo que essa informação poderá ser de uma relevância difícil de mensurar. Além disso, possuir um livro é ter uma semente cujo fruto (ou frutos?) nunca sabemos ao certo quando e como poderá surgir, pois é um objecto que pode ser utilizado por uma pessoa amiga, ou por um descendente nosso, que com o suco que obtiveram desse livro poderão realizar algum tipo de influência significativa na sua comunidade, no seu trabalho social, no seu projecto político, na sua abordagem educativa, etc.

A segunda frase de Umberto Eco remete-nos para esse vasto arsenal ideológico, para essa capacidade de interpretar e analisar para além do bem e do mal, “fora da caixa” e longe de lugares-comuns, tão necessária para exercer a desejada mudança de mentalidades, que tal como Gramsci nos ensinou, precede qualquer mudança política.


4) Com o aparecimento dos livros digitais e a sua fácil aquisição, o consumo de livros físicos enfrenta um enorme desafio. Que mudanças gostariam de provocar no panorama cultural português?


JM – Com efeito, o mercado livreiro nacional enfrenta uma crise significativa; contudo, não me parece que tal se deva à emergência dos livros em formato digital, mas antes ao medrar de uma estupidificação generalizada dos espíritos e dos comportamentos, promovida por aquilo que Guy Debord denominou sociedade do espectáculo, o que conduziu – e conduz – inevitavelmente ao afastamento das pessoas do hábito da leitura. A isso acrescem outros factores que forçam o divórcio das pessoas com a leitura, concretamente as opções editoriais que concebem os leitores como mentecaptos, o ritmo vertiginoso a que as pessoas estão sujeitas no seu dia-a-dia e que as impele a aflorarem qualquer assunto pela rama, já para não falar da absoluta mediocridade da maioria dos autores, desprovidos de originalidade, maçadores, repetitivos, vergonhosos situacionistas como Miguel Sousa Tavares, entre outros, que detêm uma presença mediática forte pelo seu alinhamento voluntário – ou conveniente – com o circuito cultural dominante. Outro aspecto que evidencia a pauperização cultural é precisamente o abandono do estatuto de escritores literários puros para dar espaço ao surgimento de uma espécie de figuras híbridas (ensaístas, cronistas, comentadores), o comentariado, entenda-se, pessoas alinhadas com o consenso dominante, cujo discurso se insere dentro de uma lógica de preservação das estruturas democráticas liberais.

Pela nossa parte, estes 13 anos de actividade livreira permitiram-nos perceber que a literatura que publicamos colhe adesão por parte de um segmento populacional desalinhado com as narrativas oficiais e que recorre a fontes de informação alternativas. É com particular entusiasmo que vemos a nossa “carteira de clientes” aumentar gradualmente, em especial devido ao “fenómeno político Chega”, mas também à deterioração das instituições e ao seu consequente descrédito.

Não posso determinar qual a amplitude que a nossa actividade livreira tem na mudança de mentalidades em curso, mas, confesso, gosto de pensar na Contra-Corrente como um antibiótico que ajuda a destruir a parede celular das bactérias.


5) Tendo em conta o vosso posicionamento na forma como desafiam o consenso cultural dominante, é inevitável questionar até que ponto esse percurso se faz sem resistência.

Já enfrentaram rejeição ou censura (formal ou informal)?


JM – Claro que sim, e tal não pode senão deixar-nos assaz honrados. O circuito dito comercial foi-nos vedado desde o início. Mesmo as livrarias autodenominadas alternativas rejeitaram os nossos livros. Fomos alvo de menções difamatórias em revistas hoje defuntas, como a Visão ou a Sábado. Isto, por si só, evidencia como o sistema procura silenciar as vozes dissidentes. A esse propósito, parafraseio José Antonio Primo de Rivera, quando dizia que, se as nossas ideias fossem realmente nocivas para o povo, nada as enfraqueceria mais do que tornarem-se conhecidas. Quando se estabelece aquilo a que chamam “cordão sanitário”, significa que pretendem impedir as pessoas de conhecer ideias com as quais poderiam concordar.

Mas sejamos claros: a Contra-Corrente nunca teve a pretensão de ser aceite, nunca procurou aprovação ou consideração por parte de quem tem pautado a sua actuação pelo desrespeito dos valores pátrios e pelo apagamento da comunidade nacional. E vou mais longe: não somos um projecto editorial que tenha pedido licença a quem quer que seja para emergir e crescer, muito a contragosto de uma certa direitinha covarde de sempre, recolhida nas suas patéticas tertúlias angustiadas, cujas mangas-de-alpaca nunca quiseram confundir-se com os braços laboriosos (e tatuados) de mangas arregaçadas. Essa direitinha de salão, acomodatícia, cujo acto mais arriscado na vida foi escrever em blogues ou fazer podcasts que ninguém vê ou escuta, detesta tanto a Contra-Corrente como os liberais e os esquerdistas; mas ainda bem que assim é, pois «fica-nos a consciência tão límpida como a água que brota de rocha virgem…».


RA – Censura formal e informal, sem dúvida. Vou dar apenas alguns exemplos concretos (de muitos outros que poderia aqui mencionar).

Quando lançámos o Testamento de um Miliciano – A Guerra de África vivida por um oficial Fascista do saudoso Capitão Luís Fernandes, este foi alvo de dupla censura. A primeira foi “interna”, porque uma associação alegadamente patriótica que ia apoiar o lançamento deste livro, não só recusou ter o seu logo no livro, tal como estava previsto, como boicotou (passivamente) a cerimónia de lançamento do livro na SHIP (que acabou por ser a última cerimónia pública do capitão ainda em vida). Porquê? Porque essa associação recusava-se a estar associada a um livro que tinha a palavra “Fascista”. Ainda em relação ao mesmo livro, fomos contactados por uma grande distribuidora, que para além de ter algumas lojas próprias, distribui os seus livros por feiras e eventos (por exemplo quando vemos aquelas pequenas “feiras” no metropolitano de Lisboa ou em espaços comerciais). Tinham ouvido falar do livro e queriam distribuí-lo, mas não conheciam a editora. O responsável desta distribuidora estava muito entusiasmado com o livro, e marcámos uma reunião de trabalho para dois dias depois. Nessa noite, enviei para o responsável a lista com todo o nosso espólio bibliográfico, como ele nos tinha pedido. Resultado? Não apareceu na reunião, nem nunca mais atendeu os meus telefonemas. Porquê? Porque havia títulos no nosso espólio que poderiam trazer “problemas” para a distribuidora...

Outra situação caricata ocorreu com o livro Salazar: bibliografia passiva, do sr. Embaixador Fernando de Castro Brandão, o maior biógrafo vivo de Salazar com vasta obra relevante sobre o Estadista. Anteriormente, o embaixador nunca tivera problemas em colocar as suas obras à venda naquelas livrarias de média-pequena dimensão. Propositadamente, quis lançar aquela obra pela Contra-Corrente, exactamente para testar a resposta do “sistema” a esse acto. Por um lado, o sr. Embaixador queria demonstrar o apreço pelo nosso trabalho, associando o seu nome ao nosso, por outro desejava fazer o teste: iria um conhecido e reputado embaixador que sempre divulgou as suas obras sem dificuldade, ser censurado por ter escolhido a Contra-Corrente? A resposta, penso que todos a conhecem: este livro foi censurado, apesar de todos os nossos esforços e do sr. Embaixador. “Critérios editoriais” é a justificação mais habitual para a censura. Mas ele lutou à sua maneira, e divulgou o livro pelos seus próprios canais.

E depois também há a censura dos próprios “potenciais” leitores. Muitos, na sua estreiteza intelectual e tacanhez de espírito, são incapazes de aceitar que a editora divulgue ideias com as quais eles simplesmente não concordam ou nem sequer compreendem. Quando lançámos os Protocolos dos Sábios de Sião recebemos emails de pessoas que já nos tinham comprado algo anteriormente, a dizer que nos iam boicotar e censurar por todas as formas possíveis por lançarmos obra tão nefasta para a percepção que se tem de um determinado povo. Quando lançámos A Ideia Juche sob a perspectiva nacional-identitária houve quem nos tentasse censurar porque éramos comunistas...

É exactamente a ignorância e a falta de diversidade no conhecimento que suscitam este tipo de reacções.


6) Que tenhamos a profunda noção dos sacrifícios económicos e familiares que uma editora de livros físicos acarreta. Não queria deixar de vos agradecer a disponibilidade e prontidão na cedência às perguntas do Blog Comunidade. Para terminarmos, o que diriam aos mais resistentes ao hábito da leitura?


JM - Somos nós quem agradece a entrevista, o teu interesse e apoio, que se traduzem num admirável empenho na difusão da Contra-Corrente junto de um público mais vasto. Como bem sabes, por experiência própria, escrever - assim como traduzir, paginar, publicitar -, enfim, manter uma editora livreira, requer tempo mais do que suficiente, quase sempre em detrimento da vida familiar e pessoal. Porém, esta empresa que decidimos abraçar acaba por revelar-se não uma mera opção, mas um dever, um dever para connosco e para com os demais. Quem, senão nós? Quando, senão agora?

Deixo uma palavra de apreço dirigida às centenas, milhares de pessoas que, no decurso destes 13 anos de existência, têm adquirido os nossos livros e revistas. São todas essas pessoas que dão sentido à Contra-Corrente, pois também nelas reside a esperança de uma futura mudança reorientadora - ou, por que não, revolucionária - nos destinos da nossa nação. Sois o exército da Contra-Corrente, e nada poderá travar o avanço de uma mudança cujo tempo chegou.

Por fim, no respeito pela saúde mental de todos e atendendo ao gosto refinado dos nossos leitores, garantimos que jamais qualquer obra nossa será nomeada para o Prémio Nobel.

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