"Salazar: quando Portugal aprendeu a parecer eterno" in Dextravox
"Salazar: quando Portugal aprendeu a parecer eterno" Há figuras na história que, pela persistência do seu método e pela coerência da sua visão, parecem dotadas de um raro dom de transmutação. A António de Oliveira Salazar foi frequentemente atribuído esse "toque de Midas", não tanto como uma metáfora de riqueza fácil, mas como o símbolo de uma capacidade singular de disciplinar realidades desagregadas. Não foi tanto um criador de riquezas, à maneira literal do mito de Midas, mas o seu "toque", não produzindo ouro visível; produziu antes, um bem raro e silencioso, sem o qual nenhuma grandeza se sustentou: estabilidade. Quando assumiu a pasta das Finanças em 1928, a República, no seu fervor, era um corpo exausto. As finanças públicas estavam descontroladas, a moeda era instável, o crédito externo estava comprometido e deambulava uma crónica incapacidade de execução. Portugal encontrava-se num estado de dispersão quase entrópica e foi necessário, ...