"A gramática permitida: sobre a unidade que falta às direitas europeias" in Dextra Vox
A gramática permitida: sobre a unidade que falta às direitas europeias Há qualquer coisa de irónico, e mesmo de faustiano, na circunstância de as direitas europeias, tão dadas a invocar a nação, a tradição e a continuidade histórica, serem hoje incapazes de sentar-se à mesma mesa sem discórdia. O Parlamento Europeu oferece o retrato clínico: três bancadas — o ECR de Giorgia Meloni e dos poloneses do PiS, nascido em 2009 por engenho de David Cameron; os Patriotas pela Europa, de Orbán, Le Pen e Salvini, agregados em 2024; e o ESN, onde se refugia a AfD — que raramente se cumprimentam e nunca se confundem. Seria fácil, e cómodo, atribuir isto à vaidade dos chefes, esse pecado tão antigo quanto a própria política. Mas a fractura é mais funda, e para a compreendê-la é preciso descer da geografia parlamentar até à genealogia intelectual — e, mais abaixo ainda, até à gramática que cada geração desta família política se permite falar. Convém não esquecer que a direita, ao contrá...