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"Sócrates cansa-se...e já cansa" in Observador

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"Sócrates cansa-se...e já cansa" Cansaço. Foi essa a palavra que Sócrates atirou ao tribunal, como quem fecha uma porta a meio de uma pergunta incómoda. Cansaço, disse ele — depois de nove sessões a falar à vontade sobre tudo o que lhe interessava contar. O país, esse, está cansado há mais de dez anos, e ninguém lhe perguntou se queria uma pausa. Não há coincidências inocentes num homem que geriu, durante anos, os tempos e os silêncios do poder com mão de ferro. O cansaço apareceu mesmo quando as perguntas começaram a apertar. Nove sessões inteiras a discorrer sobre o que lhe convinha, e é agora, precisamente agora, que falta o fôlego. Quem geriu a agenda de um país sabe muito bem como se gere a agenda de um julgamento. E a vergonha, aqui, já não é só dele. É de uma justiça que deixou este processo arrastar-se desde 2014 — mais de uma década — até chegar a um ponto em que um simples "estou cansado" ainda tem poder para suspender tudo outra vez. Justiç...

“O Sol, a Lua e o Guardador de Vacas” in FOLHA NACIONAL

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FLOTILHA À LA CARTE in DEXTRAVOX

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Sergio Riquelme: teoria da conspiração ou lucidez? in Dextravox

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Sergio Riquelme: teoria da conspiração ou lucidez? Por Filipe Carvalho "Há ideias que incomodam", diz-nos o prefácio da audaciosa publicação em Portugal, pelo selo da editora Contra-Corrente, de A Grande Substituição: A teoria da substituição demográfica , da autoria de Sergio Fernández Riquelme. Num panorama cultural e mediático fustigado pela pasmaceira do politicamente correcto, onde qualquer heresia ao dogma vigente é prontamente carimbada com o anátema do "racismo" ou do "extremismo", este livro surge não como uma provocação gratuita, mas como um sobressalto de lucidez. Desengane-se o leitor apressado que espera encontrar nestas páginas o folhetim habitual das teorias da conspiração, com vilões de opereta e complôs de matriz judaica ou maçónica. A tese aqui vertida, ancorada no pensamento de Jordi Garriga, é de um pragmatismo gélido: a "Grande Substituição" existe, sim, mas é a estrita e mecânica lógica do Capital. Trata-se do...

"O (a)caso Luís Neves: Crónica de uma autoridade em ruínas" no Folha Nacional

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O (a)caso Luís Neves: Crónica de uma autoridade em ruínas Há episódios que não precisam de adjectivos para se tornarem indefensáveis, basta a cronologia dos factos. O caso que envolve Luís Neves, Ministro da Administração Interna e antigo director nacional da Polícia Judiciária, é um desses episódios; uma sucessão de decisões, omissões e explicações contraditórias que, juntas, desenham o retrato de uma autoridade política que se autodestruiu perante os olhos do país. A génese de um escândalo Tudo começou a 10 de Julho, quando o semanário Nascer do Sol  revelou que a empresa contratada para remodelar um imóvel do ministro em Odemira era a mesma — a Construbarcelos, de João dos Santos Carvalho — que havia recebido cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos da PJ durante a direcção de Luís Neves. Não se tratava de obras de conservação menores: por trás de um alegado "tanque", escondia-se afinal uma piscina de dimensão familiar, um alpendre, muros e arranjos ...

"LUTA DE CLASSES NO WI-FI" IN OBSERVADOR

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"Luta de Classes no Wi-Fi" Há uma hipocrisia profundamente tragicómica na visão de um anfiteatro universitário contemporâneo. Onde outrora se debatia a estrutura do ser ou a gravidade das leis da economia, assiste-se hoje a uma mesquinha pantomima de virtude encenada. O rigor da leitura de biblioteca e o suor da verdadeira erudição foram sumariamente substituídos pela leitura de resumos em folhetos e pela urgência do slogan fácil. Já não se busca a verdade; busca-se a aprovação dos pares numa disputa feroz para ver quem ostenta a auréola moral mais reluzente. Entram em cena os novos prosélitos da revolução. É um espectáculo digno de nota: o jovem, devidamente sustentado pela conta bancária dos pais e sufocado pelo enfado de uma existência burguesa, sente subitamente a imperiosa necessidade de derrubar o sistema. Faz o sacrifício supremo de proclamar a queda do capital através do ecrã reluzente do seu telemóvel topo de gama, montado nas entranhas do capitalismo n...

"E DEPOIS DO ADEUS" NO OBSERVADOR

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"E depois do adeus" Ceuta nunca foi uma cidade para espíritos ingénuos. Quem ali vive sabe que a História pesa mais do que o clima e que a fronteira não cabe nas linhas de um mapa. Respira-se. Ou respira-se mal. Durante décadas, essa tensão fez parte da identidade da cidade sem lhe roubar a paz. Hoje, roubou-lhe quase tudo. Os jornais falam de pressão migratória. Os governantes preferem expressões assépticas, cuidadosamente polidas para não melindrarem ninguém. Os habitantes, esses, chamam-lhe outra coisa: viver com medo. E o medo tem o péssimo hábito de dispensar eufemismos. Há lojas que encerram quando ainda resta luz do dia. Não porque o expediente tenha terminado, mas porque o proprietário já aprendeu que a prudência rende mais do que a coragem quando o Estado desaparece da paisagem. As grades descem devagar, uma após outra, como se toda a cidade fechasse os olhos antes da noite cair. É uma imagem banal. E justamente por isso é assustadora. O poder contin...