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Violência e Democracia na Europa Contemporânea in "Observador"

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Violência e Democracia na Europa contemporânea A Europa contemporânea construiu para si própria a narrativa confortável de que a violência ideológica pertence ao passado; encerrada em arquivos, museus e documentários. Uma espécie de superstição moderna segundo a qual o progresso material e institucional teria domesticado, de forma definitiva, os impulsos mais destrutivos da acção política. É uma ideia elegante, porém, profundamente ingénua. Porque, do ponto de vista antropológico, a violência não é um acidente da história — é uma constante da condição humana. E é precisamente aqui que a Europa revela uma curiosa assimetria: condena a violência em abstracto, mas tende a relativizá-la quando esta se apresenta revestida de certas intenções morais. Os chamados "anos de chumbo" foram um laboratório claro dessa tensão.  Em Itália, as Brigadas Vermelhas não surgiram de um vazio, mas num ambiente intelectual onde a ruptura revolucionária era, em certos círculos, romantica...

Pedofilia e a cumplicidade legitimada in "Observador"

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​Pedofilia e a cumplicidade legitmada in "Observador " ​É necessário um estômago forte para analisar a promiscuidade intelectual que uniu as cátedras de Paris aos divãs da sexologia experimental. O que nos venderam como "vanguarda do pensamento" não foi mais do que uma tentativa arrogante de intelectualizar o instinto mais predatório e monstruoso do ser humano. Do divã parisiense de 1977 à ilha privada de Jeffrey Epstein, o fio condutor é um só: a arrogância de uma elite que, "decidiu" que o corpo da infância era o último território a ser conquistado, profanado e transformado em mercadoria. ​Tudo começou com a "Geração de 68", quando os sumos-sacerdotes do pensamento europeu decidiram que a moralidade era uma algema burguesa. Michel Foucault, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir não foram apenas filósofos; foram os cúmplices teóricos dos predadores. Ao assinarem o infame manifesto de 1977 no jorna...

" André Ventura contra o regime do desprezo" in Folha Nacional

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"André Ventura contra o regime do desprezo" Portugal nasceu contra a corrente. Contra a geografia, impérios e contra a prudência dos acomodados. Um país improvável, que durante séculos se assumiu como Nação. O globalismo, por outro lado, não precisou de canhões, mas de manipulações. Convenceu-nos de que a identidade é um excesso, que a soberania é algo grosseiro e que ter memória pode ser perigoso. Ensinou um Povo antigo a pedir desculpa por existir e, não ocupando territórios mas consciências, venceu-O pelo cansaço. Para executar esta transformação com eficácia, foi necessário um operador interno. Encontrou-se o "mercenário" ideal: o Partido Socialista. O PS não governa Portugal, gere-o. Gerindo expectativas e dependências; no fundo gerindo a decadência. É um aparelho não ideológico que sobrevive do "quanto pior melhor". Um regime de rotação onde o poder nunca sai do mesmo círculo e que apenas muda de lugar à mesa. Um sistema onde a incompetên...

"Pensar ofende?" in "Folha Nacional"

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"Pensar ofende?" ​A paisagem mediática contemporânea na Europa assiste a uma transformação preocupante, onde a censura não se manifesta apenas pela interdição directa, mas antes por uma mais subtil, mas implacável, exclusão e difamação sistemáticas. O foco deste novo "cordão sanitário" recai, particularmente, sobre os movimentos e pensadores identitários, os nacionalistas e, sobretudo, sobre a sua vertente de acção cultural e ideológica: a metapolítica. ​Os identitários, que advogam a preservação da identidade cultural, histórica e étnica dos povos europeus, e os nacionalistas, que pugnam pela soberania e pelos interesses da Nação acima de tudo, encontram-se hoje sob um assédio constante nos meios de comunicação em massa e para as massas. O que lhes é rejeitado não é apenas a sua acção política formal, mas sim a própria ideia que defendem. A sua linguagem, os seus símbolos e as suas propostas são frequentemente rotulados com pejorativos extre...

"Quem vê caras não vê burqas " in https://dextravox.pt/quem-ve-caras-nao-ve-burqas/

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Quem vê caras não vê burqas A recente aprovação na Assembleia da República de uma lei que proíbe o uso de vestimentas que ocultem integralmente o rosto, nomeadamente e em particular, o véu integral islâmico (burqa e niqab) , merece uma reflexão que oscila entre uma justificação relativamente compreensível e uma discussão algo mesquinha e "pequenina".  A lei pode ser compreensível e legítima, na medida em que aborda temas tão pertinentes como segurança e reconhecimento. Pese embora, essa mesma abordagem ter parecido desproporcional face à forma como se conduziu o debate; sempre muito centrado no "tecido sagrado" em vez de nos efeitos ou causas mais profundas das práticas de cobertura ou da condição das mulheres em contextos diversos. A lei pareceu focar-se mais no "que veste o rosto completamente" do que num debate profundo sobre integração, desigualdade, multiculturalismo, ou situações reais de coacção. Ou seja, o debate ficou mais sup...

"Angola é que são elas"

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"Angola é que são elas" ​O que hoje se vive em Portugal não é apenas uma crise política ou económica; é um colapso civilizacional imposto por uma classe dirigente traidora e complexada. Livremo-nos do espartilho do politicamente correcto e exponhamos a conexão viciosa entre três flagelos contemporâneos: a subserviência histórica, a frivolidade política e a falência dos serviços essenciais. ​A candidatura bizarra de Manuel João Vieira à Presidência da República — o "candidato dos Ferraris e do vinho canalizado" — não é uma anedota, é o retrato cínico do nosso Estado. Vieira é a encarnação do niilismo político e a prova de que a República transformou a sua função mais solene num palco de pantomima. ​O sistema dá-lhe palco porque ouvi-lo prometer o que é impossível é menos perigoso do que o "populismo" de intervenção que denuncia a traição das elites. Ao ridicularizar o patriotismo e o debate sério, Vieira serve os interesses de quem quer manter o...

"Liberalismo: liberdade ou maldade?"

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"Liberalismo: liberdade ou maldade?" O  Homo Sapiens , este bípede erigido sob a insustentável leveza do Ser, vive acorrentado à miragem filosófica que lhe arroga a dignidade e a miséria da escolha. É uma concessão divina, bradam os teólogos, desde Agostinho de Hipona, para quem o mal é a privação do bem e fruto do mau uso da vontade. Uma dádiva, dizem, que nos afasta da pura mecanicidade da pedra e nos eleva ao patamar da responsabilidade moral. Mas que arquitectura perversa é esta, que nos dota de liberdade para, invariavelmente, cairmos na abjecção? A maldade não é uma falha no  software  da Criação; é a sua característica mais estável e, paradoxalmente, a mais definidora da nossa pretendida "liberdade". ​Recuemos ao Gênesis. A interdição, a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, não era um teste de obediência cega, mas a inauguração da ambiguidade. Antes, havia apenas a inocência edénica; depois, a consciência, o saber que o caminho se bifurca, que ...