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"E DEPOIS DO ADEUS" NO OBSERVADOR

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"E depois do adeus" Ceuta nunca foi uma cidade para espíritos ingénuos. Quem ali vive sabe que a História pesa mais do que o clima e que a fronteira não cabe nas linhas de um mapa. Respira-se. Ou respira-se mal. Durante décadas, essa tensão fez parte da identidade da cidade sem lhe roubar a paz. Hoje, roubou-lhe quase tudo. Os jornais falam de pressão migratória. Os governantes preferem expressões assépticas, cuidadosamente polidas para não melindrarem ninguém. Os habitantes, esses, chamam-lhe outra coisa: viver com medo. E o medo tem o péssimo hábito de dispensar eufemismos. Há lojas que encerram quando ainda resta luz do dia. Não porque o expediente tenha terminado, mas porque o proprietário já aprendeu que a prudência rende mais do que a coragem quando o Estado desaparece da paisagem. As grades descem devagar, uma após outra, como se toda a cidade fechasse os olhos antes da noite cair. É uma imagem banal. E justamente por isso é assustadora. O poder contin...

"VITÓRIO CARDOSO APELA AO 'PATRIOTISMO'" IN FOLHA NACIONAL

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"Vitório Cardoso apela ao 'patriotismo'" Temos presenciado, não raras vezes, momentos em que a nossa política deixa de ser um jogo de meias-palavras e passa a ser uma questão de sobrevivência moral. O grito de alarme do Conselheiro Nacional do PSD, Vitório Rosário Cardoso — ao convocar os "patriotas" para travarem o risco sufocante de uma "dinâmica de bando" —, não é um mero ajuste de contas partidário. É um murro na mesa; numa recusa estóica de assistir, de braços cruzados, ao apodrecimento por dentro do próprio Estado. A gravidade da situação exige que se fale sem panos quentes. O contexto que, alegadamente,  envolve o ministro da Administração Interna, Luís Neves, não é um pormenor técnico nem uma pequena falha de percurso: a ser verdade, é uma ferida aberta na credibilidade das instituições. As notícias sobre a gestão de bens apreendidos pela Polícia Judiciária, ao tempo em que Luís Neves liderava a instituição — designadamente, a p...

"A gramática permitida: sobre a unidade que falta às direitas europeias" in Dextra Vox

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A gramática permitida: sobre a unidade que falta às direitas europeias Há qualquer coisa de irónico, e mesmo de faustiano, na circunstância de as direitas europeias, tão dadas a invocar a nação, a tradição e a continuidade histórica, serem hoje incapazes de sentar-se à mesma mesa sem discórdia. O Parlamento Europeu oferece o retrato clínico: três bancadas — o ECR de Giorgia Meloni e dos poloneses do PiS, nascido em 2009 por engenho de David Cameron; os Patriotas pela Europa, de Orbán, Le Pen e Salvini, agregados em 2024; e o ESN, onde se refugia a AfD — que raramente se cumprimentam e nunca se confundem. Seria fácil, e cómodo, atribuir isto à vaidade dos chefes, esse pecado tão antigo quanto a própria política. Mas a fractura é mais funda, e para a compreendê-la é preciso descer da geografia parlamentar até à genealogia intelectual — e, mais abaixo ainda, até à gramática que cada geração desta família política se permite falar. Convém não esquecer que a direita, ao contrá...

"(A)Ceuta que dói menos"

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(A)Ceuta que dói menos Uma civilização não morre sempre por falta de força, mas pode ser moribunda por excesso de boas maneiras. Aconteceu em Ceuta, em Julho de 2026, n o Estreito de Gibraltar. Mil e quinhentas almas em dez dias, atravessaram de madrugada, porque algum burocrata, algures, decidiu que a fronteira de um continente vale menos do que o lucro de uma rede de tráfico e o conforto de quem devia tê-la fechado há muito. Os comunicados oficiais eufemizam o sucedido, apelindado-o de "emergência humanitária" com aquela linguagem abstracta que já nada descreve e que apenas protege o colarinho de quem a escreve. Uma fronteira que se abre porque a polícia deixou de a conseguir segurar já não corresponde ao seu propósito e passou a ser uma cortina trapalhona que caiu a meio do espectáculo. E o que ficou por dizer nessa noite não foi a queda em si, mas o alívio mal disfarçado com que certos gabinetes a receberam, transformando a impotência numa enganosa e ludibri...

Entrevista a Afonso Gonçalves, movimento "Reconquista"

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Por Filipe Carvalho  Introdução É com acrescida honra e um profundo sentido de responsabilidade histórica que damos as boas-vindas a Afonso Gonçalves, o jovem e audaz fundador da Reconquista . Numa época marcada pelo desenraizamento cultural e pela erosão sistemática das nossas instituições, surge uma voz dissidente que recusa submeter-se à fatalidade do declínio nacional. Fundada a 21 de Outubro de 2023, a Reconquista nasce da síntese perfeita entre os valores Tradicionais, o Nacionalismo e o Populismo, afirmando-se não apenas como um movimento político apartidário, mas como a mais vital força de mudança cultural e de influência política na actualidade. Afonso Gonçalves personifica a liderança de uma nova geração que assumiu a missão de despertar a elite dormente nacional e mobilizar a juventude patriota. Sob o lema inegociável de "PELA PÁTRIA LUTAR" , o seu manifesto ergue-se firmemente sobre três pilares sagrados: a Pátria , na salvaguarda intransigente da i...

O homem que Churchill Admirava: A verdade incómoda sobre Mussolini

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"O homem que Churchill Admirava: A verdade incómoda sobre Mussolini" Crónica por Filipe Carvalho   Há verdades que o tempo trata de sepultar sob camadas de conveniência moral. Uma delas é esta: Winston Churchill, o herói imortal da democracia ocidental, o homem que resistiu a Hitler quando toda a Europa dobrava os joelhos, admirava profundamente Benito Mussolini. Não discretamente, não em privado — mas em público, com entusiasmo e sem pudor. Em Janeiro de 1927, após uma visita a Roma, Churchill declarou à imprensa: "Se eu fosse italiano, tenho a certeza de que teria estado inteiramente convosco, do início ao fim, na vossa luta triunfal contra os apetites e as paixões bestiais do Leninismo." Estas palavras não foram proferidas num momento de fraqueza ou de ignorância; foram ditas por um homem que sabia exactamente o que fazia e o que dizia, numa conferência de imprensa em Roma, perante jornalistas de todo o mundo. E não ficou por aqui. No mesmo ano, refe...

O filme que a Europa mandou calar (in Observador)

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O filme que a Europa mandou calar (in Observador) Proibir é catapultar. Sempre foi, e partamos do princípio de que o fruto proibido pode ser, salvo raras vezes, o mais apetecido. Quando a Alemanha e o Reino Unido se recusaram a certificar Citizen Vigilante , o mais recente trabalho de Uwe Boll, não estavam apenas a impedir a distribuição comercial de uma película. Estavam a escrever, sem o perceber, a sua crítica mais eloquente — e a fazê-lo em nome de toda a Europa. O filme conta a história de Michael Sanders, um americano abastado, ex-militar, radicado na Europa por herança de um pai distante. Quando percebe que o contrato social ocidental foi rescindido unilateralmente — a lei que não protege, a justiça que não pune, as instituições que existem para gerir e não para servir — torna-se num justiceiro vigilante por conta própria. Mata implacavelmente e justifica-se em vídeos anónimos que circulam nas redes com uma velocidade que nenhuma autoridade consegue travar. A sua retórica é dir...