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O Homem e a Mulher existem? in Observador

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"O Homem e a Mulher existem?" Consoante a instituição académica, chamamos de "estudos de género", "teoria queer" ou "desconstrução do sujeito" a um particular tipo de violência, quase sempre praticada, com financiamentos públicos; que raramente não transforma o que qualquer pessoa sensata vê com os seus próprios olhos, numa "construção de poder" que urge não desmantelar, uma escaramuça entre alguns antropólogos e a natureza. Comecemos pelo princípio, que é também o princípio do problema. Em 1949, Simone de Beauvoir escreveu que " ninguém nasce mulher, torna-se mulher" . Uma frase elegante que é também o ponto de partida de uma das mais longas e custosas aventuras intelectuais e tentativas de convencer a humanidade de que, a diferença entre um homem e uma mulher, é afinal uma ilusão fabricada pelo poder. Beauvoir tinha razão quando nos alertou de que a forma como as mulheres se comportam, vestem e vivem, muda consoa...

Entrevista com a editora Contra-Corrente in Dextravox

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https://dextravox.pt/contra-corrente-uma-editora-dissidente/ Entrevista com os editores da Contra-Corrente “Contra-Corrente não é um produto comercial. Possuir um livro Contra-Corrente significa contribuir activamente para a formação e financiamento de uma área político-cultural Não-Conforme. Possuir e difundir esta obra significa incarnar uma mensagem e o símbolo que representa...Sê digno e pronto a defender as tuas escolhas. Sempre.” Num panorama editorial frequentemente orientado por lógicas comerciais e tendências de mercado, a Contra-Corrente afirma-se como um projecto singular. Com mais de 120 obras publicadas, a editora apresenta-se não apenas como um agente cultural, mas como um veículo de intervenção político-cultural, assumindo desde as primeiras páginas de cada livro um compromisso claro com aquilo que define como uma área “Não-Conforme”. Mas o que significa, na prática, estar “contra-corrente” no contexto actual? Que ideias, autores e visões sustentam este proje...

"A propósito do Dia Mundial da Língua Portuguesa" in Dextravox

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"A propósito do Dia Mundial da Língua Portuguesa"  ​No dia 5 de Maio de 2026, as instituições do regime cumpriram o calendário. Entre vinhos de honra e discursos ocos, celebrou-se o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Mas, enquanto a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, fundada em 17 de Julho de 1996) celebra o português como um "activo diplomático" e "económico" em reuniões de alto nível, ignora-se, em paralelo, a degradação da língua (numa "mitralização" ou "brasileirismo de massas") que ocorre na base, na rua e entre as juventudes que, em teoria, deveriam ser o futuro dessa mesma comunidade. O que ouvimos hoje, de forma geral e num Portugal transversal, não é a evolução orgânica de um idioma; mas a sua necrose. O "falar à mitra" — esse híbrido de crioulos, slang digital (enquanto gíria paralela e extremamente volátil que molda a forma como a juventude comunica e, por extensão, como pensa) e fonética ...

"O COPCON e o delírio revolucionário " in Observador

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"O COPCON e o delírio revolucionário" ​A História de Portugal, nas suas horas de maior angústia, pautou-se sempre por uma tensão dialéctica entre a ordem e o abismo. Contudo, o chamado PREC (Processo Revolucionário em Curso) — inaugurou uma modalidade de caos que não visava apenas a substituição de uma elite, mas a extirpação da própria memória nacionalista da Pátria. No epicentro deste terramoto institucional surgiu o COPCON (Comando Operacional do Continente), uma espécie de guarda pretoriana de pendor jacobino de Robespierre e que, sob a máscara da "libertação", instaurou um regime de excepção onde o nacionalismo orgânico foi o alvo preferencial de uma purga sem precedentes. ​O COPCON (Comando Operacional do Continente) não foi uma unidade militar convencional; foi a materialização de uma utopia regressiva liderada por Otelo Saraiva de Carvalho. Para este condottiero  — termo que aqui evoca a figura do chefe militar aventureiro e mercenário da Renasce...

“Me ne frego”: estética, vontade e destino na figura de Gabriele D’Annunzio in Dextravox

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“Me ne frego”: estética, vontade e destino na figura de Gabriele D’Annunzio A expressão italiana "Me ne frego" , tantas vezes traduzida como um brusco "estou-me a lixar" ou "não me importa", transcende o mero gesto de indiferença para se inscrever, no contexto da Europa do início do século XX, como um símbolo de vontade, de desafio e de afirmação estética da existência. Na sua apropriação por Gabriele D’Annunzio (1863–1938), esta fórmula adquire uma densidade singular, onde se entrelaçam literatura, política e uma concepção quase religiosa da acção. A trajectória de D’Annunzio não pode ser dissociada do clima espiritual do seu tempo. Nascido em Pescara, em 1863, cedo revelou inclinação para as letras, publicando, ainda adolescente, a colectânea poética Primo vere (1879). A sua formação inscreve-se na corrente decadentista, profundamente marcada pela influência de autores como Baudelaire e Nietzsche, este último determinante na construção do id...

"Francisco Rolão Preto, o fascista que Soares condecorou" in Dextravox

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Francisco Rolão Preto, o fascista que Soares condecorou A figura de Francisco Rolão Preto permanece, ainda hoje, como uma das mais desconcertantes e mal compreendidas da história política portuguesa do século XX. Não por falta de documentação ou testemunho, mas porque a sua trajectória resiste às simplificações ideológicas que frequentemente estruturam a memória histórica. Entre o impulso revolucionário e a fidelidade à tradição, entre a tentação fascista e a posterior dissidência anti-salazarista, Rolão Preto encarna um drama ainda mais vasto: o da própria identidade das direitas portuguesas na modernidade. Para compreender esta figura, é indispensável situá-la no quadro da crise do liberalismo que marcou a Europa de entre-guerras. A derrocada das instituições parlamentares, a instabilidade social e a ameaça do bolchevismo criaram o terreno fértil para quaisquer experiências políticas que procurassem ultrapassar a dicotomia entre o liberalismo e o socialismo. Neste context...

"Migrações em massa" in Observador

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"Migrações em massa" Entre os fenómenos mais marcantes da contemporaneidade, poucos suscitam tantas tensões quanto o das migrações em larga escala. Mais do que fluxos humanos episódicos, trata-se hoje de movimentos estruturais, impulsionados por factores económicos, políticos, demográficos e, em certos contextos, geopolíticos. O que outrora se manifestava como deslocações circunscritas e progressivas, ocorre agora num quadro de globalização acelerada, com impactos visíveis nas sociedades de acolhimento. A reflexão filosófica e sociológica não pode ignorar esta realidade. Reduzir o fenómeno migratório a estatísticas de emprego ou a cálculos financeiros é insuficiente. A questão é mais profunda: envolve identidade, coesão social e continuidade histórica. Como observa Alain de Benoist, não se trata apenas de quantificar entradas, mas de interrogar o significado cultural e civilizacional das transformações em curso. A questão central impõe-se, assim, de forma legítima...