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"(A)Ceuta que dói menos"

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(A)Ceuta que dói menos Uma civilização não morre sempre por falta de força, mas pode ser moribunda por excesso de boas maneiras. Aconteceu em Ceuta, em Julho de 2026, n o Estreito de Gibraltar. Mil e quinhentas almas em dez dias, atravessaram de madrugada, porque algum burocrata, algures, decidiu que a fronteira de um continente vale menos do que o lucro de uma rede de tráfico e o conforto de quem devia tê-la fechado há muito. Os comunicados oficiais eufemizam o sucedido, apelindado-o de "emergência humanitária" com aquela linguagem abstracta que já nada descreve e que apenas protege o colarinho de quem a escreve. Uma fronteira que se abre porque a polícia deixou de a conseguir segurar já não corresponde ao seu propósito e passou a ser uma cortina trapalhona que caiu a meio do espectáculo. E o que ficou por dizer nessa noite não foi a queda em si, mas o alívio mal disfarçado com que certos gabinetes a receberam, transformando a impotência numa enganosa e ludibri...

Entrevista a Afonso Gonçalves, movimento "Reconquista"

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Por Filipe Carvalho  Introdução É com acrescida honra e um profundo sentido de responsabilidade histórica que damos as boas-vindas a Afonso Gonçalves, o jovem e audaz fundador da Reconquista . Numa época marcada pelo desenraizamento cultural e pela erosão sistemática das nossas instituições, surge uma voz dissidente que recusa submeter-se à fatalidade do declínio nacional. Fundada a 21 de Outubro de 2023, a Reconquista nasce da síntese perfeita entre os valores Tradicionais, o Nacionalismo e o Populismo, afirmando-se não apenas como um movimento político apartidário, mas como a mais vital força de mudança cultural e de influência política na actualidade. Afonso Gonçalves personifica a liderança de uma nova geração que assumiu a missão de despertar a elite dormente nacional e mobilizar a juventude patriota. Sob o lema inegociável de "PELA PÁTRIA LUTAR" , o seu manifesto ergue-se firmemente sobre três pilares sagrados: a Pátria , na salvaguarda intransigente da i...

O homem que Churchill Admirava: A verdade incómoda sobre Mussolini

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"O homem que Churchill Admirava: A verdade incómoda sobre Mussolini" Crónica por Filipe Carvalho   Há verdades que o tempo trata de sepultar sob camadas de conveniência moral. Uma delas é esta: Winston Churchill, o herói imortal da democracia ocidental, o homem que resistiu a Hitler quando toda a Europa dobrava os joelhos, admirava profundamente Benito Mussolini. Não discretamente, não em privado — mas em público, com entusiasmo e sem pudor. Em Janeiro de 1927, após uma visita a Roma, Churchill declarou à imprensa: "Se eu fosse italiano, tenho a certeza de que teria estado inteiramente convosco, do início ao fim, na vossa luta triunfal contra os apetites e as paixões bestiais do Leninismo." Estas palavras não foram proferidas num momento de fraqueza ou de ignorância; foram ditas por um homem que sabia exactamente o que fazia e o que dizia, numa conferência de imprensa em Roma, perante jornalistas de todo o mundo. E não ficou por aqui. No mesmo ano, refe...

O filme que a Europa mandou calar (in Observador)

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O filme que a Europa mandou calar (in Observador) Proibir é catapultar. Sempre foi, e partamos do princípio de que o fruto proibido pode ser, salvo raras vezes, o mais apetecido. Quando a Alemanha e o Reino Unido se recusaram a certificar Citizen Vigilante , o mais recente trabalho de Uwe Boll, não estavam apenas a impedir a distribuição comercial de uma película. Estavam a escrever, sem o perceber, a sua crítica mais eloquente — e a fazê-lo em nome de toda a Europa. O filme conta a história de Michael Sanders, um americano abastado, ex-militar, radicado na Europa por herança de um pai distante. Quando percebe que o contrato social ocidental foi rescindido unilateralmente — a lei que não protege, a justiça que não pune, as instituições que existem para gerir e não para servir — torna-se num justiceiro vigilante por conta própria. Mata implacavelmente e justifica-se em vídeos anónimos que circulam nas redes com uma velocidade que nenhuma autoridade consegue travar. A sua retórica é dir...

"Manosfera: nem tradição, nem revolta" in Dextravox

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"Manosfera: nem tradição, nem revolta" Há erros que merecem ser examinados antes de serem condenados. Não porque sejam mais sábios, mas porque são mais reveladores. A manosfera é um desses casos. O homem que adere a ela engana-se acerca da cura, mas não necessariamente acerca da doença; e é muitas vezes mais instrutivo estudar a origem de uma ilusão do que escarnecer daqueles que nela acreditam. Quem observe estes jovens verá que não nasceram do excesso de autoridade, mas da sua ausência. Cresceram num mundo em que quase todas as instituições encarregadas de formar o carácter perderam confiança em si próprias. A família enfraqueceu, a figura paterna tornou-se hesitante ou distante, e a passagem da juventude à idade adulta deixou de possuir os seus antigos marcos. Não admira, pois, que procurem mestres onde os encontrem. O extraordinário não é que os encontrem num ecrã; é que os encontrem ali em tão grande número. A mesma época que privou estes homens de orientação...

"O Estado contra os seus" in Observador

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O assassínio de Henry Nowak em Southampton chegou-me como chegam estas notícias que o tempo presente fabrica em série e depois descarta — pelo ecrã, entre uma publicidade e outra, entre um escândalo e o seguinte — mas ficou. Ficou porque não era mais uma notícia, era um sintoma; e os sintomas, ao contrário das notícias, não se descartam: acumulam-se em silêncio no corpo dos adoecidos até que o médico, ou a autópsia, lhes dê finalmente o nome que sempre tiveram. O que é que ficou desta notícia, exactamente? Não a morte em si porque a morte é antiga, é familiar, é o único horizonte infalível que nunca falhou a nenhum povo. O que ficou foram as reacções. Ou melhor: quem chorou e quem não chorou. Quem foi para as ruas e com que palavras. Quem invocou a justiça e quem invocou a ordem. Quem disse isto e aquilo não nos representa e quem disse aqueloutro era inevitável.  O nosso ilustre Jaime Nogueira Pinto observou, numa entrevista ao iOnline em Janeiro de 2017, que a polític...

"A Europa e a Figueira da Foz" in Observador

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"A Europa e a Figueira da Foz" Há coisas que acontecem longe das câmaras e que por isso mesmo acontecem de verdade. A Figueira da Foz fica a cento e tal quilómetros do Porto, tem um casino art déco que o tempo foi comendo por dentro, um estuário largo onde o Mondego se rende ao Atlântico com uma espécie de cansaço antigo, e não é o género de lugar onde se espera que a história bata à porta. Mas a história tem esse feitio, aparece onde não foi convidada, senta-se sem pedir licença, e quando se vai embora já nada está como estava, embora se demore tempo a perceber porquê. Foi ali, num sábado de Maio que os jornais de Lisboa mal noticiaram e os de Bruxelas fingiram não ter visto, que quatrocentas ou quinhentas pessoas — alemães, espanhóis, holandeses, americanos e portugueses — se reuniram para dizer em voz alta aquilo que a "velha" Europa pensa em voz baixa há trinta anos. A palavra é remigração. Conhecemos esse grito. Fomos educados nele, alimentados po...