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Sergio Riquelme: teoria da conspiração ou lucidez? in Dextravox

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Sergio Riquelme: teoria da conspiração ou lucidez? Por Filipe Carvalho "Há ideias que incomodam", diz-nos o prefácio da audaciosa publicação em Portugal, pelo selo da editora Contra-Corrente, de A Grande Substituição: A teoria da substituição demográfica , da autoria de Sergio Fernández Riquelme. Num panorama cultural e mediático fustigado pela pasmaceira do politicamente correcto, onde qualquer heresia ao dogma vigente é prontamente carimbada com o anátema do "racismo" ou do "extremismo", este livro surge não como uma provocação gratuita, mas como um sobressalto de lucidez. Desengane-se o leitor apressado que espera encontrar nestas páginas o folhetim habitual das teorias da conspiração, com vilões de opereta e complôs de matriz judaica ou maçónica. A tese aqui vertida, ancorada no pensamento de Jordi Garriga, é de um pragmatismo gélido: a "Grande Substituição" existe, sim, mas é a estrita e mecânica lógica do Capital. Trata-se do...

"O (a)caso Luís Neves: Crónica de uma autoridade em ruínas" no Folha Nacional

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O (a)caso Luís Neves: Crónica de uma autoridade em ruínas Há episódios que não precisam de adjectivos para se tornarem indefensáveis, basta a cronologia dos factos. O caso que envolve Luís Neves, Ministro da Administração Interna e antigo director nacional da Polícia Judiciária, é um desses episódios; uma sucessão de decisões, omissões e explicações contraditórias que, juntas, desenham o retrato de uma autoridade política que se autodestruiu perante os olhos do país. A génese de um escândalo Tudo começou a 10 de Julho, quando o semanário Nascer do Sol  revelou que a empresa contratada para remodelar um imóvel do ministro em Odemira era a mesma — a Construbarcelos, de João dos Santos Carvalho — que havia recebido cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos da PJ durante a direcção de Luís Neves. Não se tratava de obras de conservação menores: por trás de um alegado "tanque", escondia-se afinal uma piscina de dimensão familiar, um alpendre, muros e arranjos ...

"LUTA DE CLASSES NO WI-FI" IN OBSERVADOR

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"Luta de Classes no Wi-Fi" Há uma hipocrisia profundamente tragicómica na visão de um anfiteatro universitário contemporâneo. Onde outrora se debatia a estrutura do ser ou a gravidade das leis da economia, assiste-se hoje a uma mesquinha pantomima de virtude encenada. O rigor da leitura de biblioteca e o suor da verdadeira erudição foram sumariamente substituídos pela leitura de resumos em folhetos e pela urgência do slogan fácil. Já não se busca a verdade; busca-se a aprovação dos pares numa disputa feroz para ver quem ostenta a auréola moral mais reluzente. Entram em cena os novos prosélitos da revolução. É um espectáculo digno de nota: o jovem, devidamente sustentado pela conta bancária dos pais e sufocado pelo enfado de uma existência burguesa, sente subitamente a imperiosa necessidade de derrubar o sistema. Faz o sacrifício supremo de proclamar a queda do capital através do ecrã reluzente do seu telemóvel topo de gama, montado nas entranhas do capitalismo n...

"E DEPOIS DO ADEUS" NO OBSERVADOR

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"E depois do adeus" Ceuta nunca foi uma cidade para espíritos ingénuos. Quem ali vive sabe que a História pesa mais do que o clima e que a fronteira não cabe nas linhas de um mapa. Respira-se. Ou respira-se mal. Durante décadas, essa tensão fez parte da identidade da cidade sem lhe roubar a paz. Hoje, roubou-lhe quase tudo. Os jornais falam de pressão migratória. Os governantes preferem expressões assépticas, cuidadosamente polidas para não melindrarem ninguém. Os habitantes, esses, chamam-lhe outra coisa: viver com medo. E o medo tem o péssimo hábito de dispensar eufemismos. Há lojas que encerram quando ainda resta luz do dia. Não porque o expediente tenha terminado, mas porque o proprietário já aprendeu que a prudência rende mais do que a coragem quando o Estado desaparece da paisagem. As grades descem devagar, uma após outra, como se toda a cidade fechasse os olhos antes da noite cair. É uma imagem banal. E justamente por isso é assustadora. O poder contin...

"VITÓRIO CARDOSO APELA AO 'PATRIOTISMO'" IN FOLHA NACIONAL

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"Vitório Cardoso apela ao 'patriotismo'" Temos presenciado, não raras vezes, momentos em que a nossa política deixa de ser um jogo de meias-palavras e passa a ser uma questão de sobrevivência moral. O grito de alarme do Conselheiro Nacional do PSD, Vitório Rosário Cardoso — ao convocar os "patriotas" para travarem o risco sufocante de uma "dinâmica de bando" —, não é um mero ajuste de contas partidário. É um murro na mesa; numa recusa estóica de assistir, de braços cruzados, ao apodrecimento por dentro do próprio Estado. A gravidade da situação exige que se fale sem panos quentes. O contexto que, alegadamente,  envolve o ministro da Administração Interna, Luís Neves, não é um pormenor técnico nem uma pequena falha de percurso: a ser verdade, é uma ferida aberta na credibilidade das instituições. As notícias sobre a gestão de bens apreendidos pela Polícia Judiciária, ao tempo em que Luís Neves liderava a instituição — designadamente, a p...

"A gramática permitida: sobre a unidade que falta às direitas europeias" in Dextra Vox

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A gramática permitida: sobre a unidade que falta às direitas europeias Há qualquer coisa de irónico, e mesmo de faustiano, na circunstância de as direitas europeias, tão dadas a invocar a nação, a tradição e a continuidade histórica, serem hoje incapazes de sentar-se à mesma mesa sem discórdia. O Parlamento Europeu oferece o retrato clínico: três bancadas — o ECR de Giorgia Meloni e dos poloneses do PiS, nascido em 2009 por engenho de David Cameron; os Patriotas pela Europa, de Orbán, Le Pen e Salvini, agregados em 2024; e o ESN, onde se refugia a AfD — que raramente se cumprimentam e nunca se confundem. Seria fácil, e cómodo, atribuir isto à vaidade dos chefes, esse pecado tão antigo quanto a própria política. Mas a fractura é mais funda, e para a compreendê-la é preciso descer da geografia parlamentar até à genealogia intelectual — e, mais abaixo ainda, até à gramática que cada geração desta família política se permite falar. Convém não esquecer que a direita, ao contrá...

"(A)Ceuta que dói menos"

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(A)Ceuta que dói menos Uma civilização não morre sempre por falta de força, mas pode ser moribunda por excesso de boas maneiras. Aconteceu em Ceuta, em Julho de 2026, n o Estreito de Gibraltar. Mil e quinhentas almas em dez dias, atravessaram de madrugada, porque algum burocrata, algures, decidiu que a fronteira de um continente vale menos do que o lucro de uma rede de tráfico e o conforto de quem devia tê-la fechado há muito. Os comunicados oficiais eufemizam o sucedido, apelindado-o de "emergência humanitária" com aquela linguagem abstracta que já nada descreve e que apenas protege o colarinho de quem a escreve. Uma fronteira que se abre porque a polícia deixou de a conseguir segurar já não corresponde ao seu propósito e passou a ser uma cortina trapalhona que caiu a meio do espectáculo. E o que ficou por dizer nessa noite não foi a queda em si, mas o alívio mal disfarçado com que certos gabinetes a receberam, transformando a impotência numa enganosa e ludibri...