O filme que a Europa mandou calar (in Observador)
O filme que a Europa mandou calar (in Observador) Proibir é catapultar. Sempre foi, e partamos do princípio de que o fruto proibido pode ser, salvo raras vezes, o mais apetecido. Quando a Alemanha e o Reino Unido se recusaram a certificar Citizen Vigilante , o mais recente trabalho de Uwe Boll, não estavam apenas a impedir a distribuição comercial de uma película. Estavam a escrever, sem o perceber, a sua crítica mais eloquente — e a fazê-lo em nome de toda a Europa. O filme conta a história de Michael Sanders, um americano abastado, ex-militar, radicado na Europa por herança de um pai distante. Quando percebe que o contrato social ocidental foi rescindido unilateralmente — a lei que não protege, a justiça que não pune, as instituições que existem para gerir e não para servir — torna-se num justiceiro vigilante por conta própria. Mata implacavelmente e justifica-se em vídeos anónimos que circulam nas redes com uma velocidade que nenhuma autoridade consegue travar. A sua retórica é dir...